quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Jornalista também escreve crônica (2)

Quando foi que eu me perdi de mim mesma?

Talvez tenha sido quando acreditei que podia ser verdade. Quando decidi firmar os meus pés e o meu coração onde acreditei que ficaria segura, confortável... Acolhida, enfim, daquele frio que já se tornara tão corriqueiro e dolorido. E caí. No breve instante em que toquei aquela superfície, ela se dissipou. E não houve tempo sequer para me voltar para o lugar que outrora me sustentava, mas ao mesmo tempo me prendia.

Talvez tenha sido quando acreditei que eram verdades. Quando as deixei entrar tão fundo que atingiram o lugar que por tanto tempo mantive guardado, mas decidira abrir... E lá elas se encravaram. E ali, pouco a pouco, hediondas, vão contaminando, ressecando, enegrecendo, dilacerando, matando.

Talvez tenha sido quando achei que era verdade que eu não sentia. Quando pensei que podia fazer como sempre fizera e esconder de tudo, de todos, de mim mesma, o que me vinha por dentro. E de repente não podia. De repente, com uma força insustentável, a barragem rompeu. E eu me afoguei.

Talvez tenha sido quando percebi que o que eu sentia era de verdade. E não pude fugir da dor me envolveu, no lugar daquele calor que eu esperava, no lugar até mesmo do frio corriqueiro. Dor de saber, de sentir, de existir. A dor profunda que precede a desistência definitiva.

Talvez tenha sido quando me dei conta de que, no fundo, eu nunca estivera comigo mesma... E talvez nunca me encontre.

(Leia o primeiro "Jornalista também escreve crônica")