
Ontem eu fui visitar a Grobo, lá na Berrini, e acompanhar o fechamento do Jornal da Globo.
Contendo todos os meus ímpetos de deslumbramento iniciais e pensando com a cabeça, o que eu sei depois dessa visita é que a televisão passou a figurar na minha lista de possibilidades profissionais. Digo "passou a figurar" porque antes eu nem sequer cogitava a mais remota possibilidade de entrar no meio. E isso não foi só por causa da Grobo não... Ela só acabou consolidando uma coisa que eu comecei a sentir no início das aulas de telejornalismo.
OK, ainda não é exatamente o meu primeiro lugar na lista. Nem o segundo. Talvez o terceiro... Mas o negócio é que entrou na lista. E cada vez mais eu descubro que eu gosto de ser editora... E deixo de achar que isso é um pecado que vai me levar pro inferno. Louco, não?
Entrei na faculdade querendo ser repórter. Logo no começo, veio a idéia de que talvez eu não tivesse assim tanto... hm... pique para aquilo. Mas, de algum modo, eu não queria admitir, porque imagina só: um jornalista que não gosta de ser repórter! Que aberração! "A reportagem é a alma do jornalismo"!
Eu não discordo. É óbvio que sim; afinal, a reportagem é a matéria-prima do jornalismo. Mas o tipo de reportagem de que gosto de fazer e que me sinto mais à vontade fazendo tem tão pouco espaço... Não estou falando da graande reportaaagem, nem da investigativa que exige riscos (não que eu não tenha a maior inveja de quem consegue fazê-las, mas, desculpem, eu não tenho colhões pra isso). Tô falando da reportagem que, mesmo pequena, tem a possibilidade de fazer a diferença pra alguém. Diferente da factual, da que a gente lê de relance.
Mas voltando à coisa da Grobo: fui lá, com professor e mais quatro colegas, e acompanhei a reunião de pauta ("de caixa", no jargão deles), falamos com o Gueiros, gerente de operações (taí um cara que eu queria ser igual quando crescer - ele visivelmente adora o que faz), com o Waack... Tudo bonitinho.
Aí, mais perto do fechamento propriamente dito, cada um ficou acompanhando um editor. Fiquei com a Evane, de Política ("barra Polícia", como disse o Erick Bretas). Foi aí que eu me encantei - e não tenho vergonha de usar esse termo. É aquilo que eu gosto de fazer! Coordenar, organizar, ver o todo! E, no fim das contas, o editor também tem seu papel na reportagem: o de burilar o material... Certo, nem sempre de modo satisfatório, nem sempre do modo correto.
Entrei numa crise de "será que sou autoritária? Controladora?", mas depois desencanei. É só que eu gosto mais de trabalhar com isso mesmo... E pode parecer brega, mas me libertei, ao ver que sem editor também não tem jornal. E que ele não precisa ser o burocrata que não sabe o que é jornalismo, como sempre me disseram que ele é.
Por que é que às vezes o jornalismo me parece uma área em que você não pode se dar ao direito?
Nenhum comentário:
Postar um comentário