Chapa branca me parece o pior "elogio" que se pode fazer a uma matéria, ou a um trabalho jornalístico. É tão... Afinal, de fato, coisas feitas nos moldes chapa-branca são absolutamente intragáveis. Conteúdo jornalístico chapa-branca é publicidade, não adianta. E se eu odeio ler, imagina só escrever...
Pois é: eu consigo escrever uma, se tiver de fazê-lo; mas precisa valer muito a pena, porque o embrulho no estômago é grande demais. Eu começo, mas aí simplesmente não dá pra terminar. É aquela sensação de que todo mundo me falava que existia no jornalismo, mas eu nunca tinha sentido: sensação de estar fazendo uma coisa que vai contra o que eu acredito. E isso dói.
Estava pensando que no trabalho que eu faço não estava cumprindo exatamente a função que deveria - e não tinha nada a ver com o que me mandavam fazer, tinha a ver com o que eu sentia que deveria ser um trabalho jornalístico na esfera pública (leia-se serviço governamental). Numa dessas, pensei em uma matéria que contextualizasse os usuários desse serviço no propósito dele.
O tema, então, seria software livre. Por que tanta polêmica sobre ele, por que tanta discussão, por que usá-lo e o que afinal ele tem a ver com o objetivo desse serviço (inclusão digital)? Essas eram as perguntas que eu pretendia responder na matéria, exclusivamente. E estava conseguindo.
Aí entra a chapa-branca. Enorme, reluzente. "Por que não fazemos um gancho com o programa?" pergunta o meu editor. Resposta (mental, por óbvio): "Porque eu não quero alienar o público, droga". Mas que raios! Se eu colocar menções ao programa o tempo todo, vou acabar fazendo uma propaganda dele, ao invés de informar. Vai ser uma mera matéria "Por que o programa x usa software livre?" e não uma "O que é software livre?", que considero mais importante.
Por que o interesse público é engolido pelo privado, na maioria das vezes? Cadê a função social do jornalismo? Cadê a minha função social?? Aliás, cadê a minha liberdade de exercê-la?
segunda-feira, 28 de maio de 2007
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário